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'Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres' (Clarice Lispector)

“Brilhantemente desafiador e sensível” seria, talvez, a definição mais cabível a esse romance de Clarice Lispector, que escreveu a obra com extrema sensibilidade e um uso totalmente original e belo das palavras.  

Lóri e Ulisses, principais personagens da trama, formam, ao decorrer da estória, uma relação de aprendizado a partir da compreensão de seus sentimentos referentes um ao outro, principalmente por parte de Lóri.   

O casal, formado por duas pessoas aparentemente díspares, demonstra suas diferenças de comportamento durante o relacionamento, partindo de experiências que as levam a diferentes interpretações pessoais e subjetivas através de um contínuo aprendizado.

Lóri, uma mulher tímida e pouco conhecedora de si mesma, aprende, com Ulisses, a amar e a se portar de forma diferente diante do mundo. Ulisses tenta ensiná-la a estar “preparada” para evoluir dentro da relação entre os dois e em si mesma.

O romance mostra que, com o aprendizado de um relacionamento e posteriormente, da vida social, personagens aparentemente distintos podem se completar ou se sentir dependentes um do outro. Esses aprendizados e experiências acabam por se tornar enigmas a serem descobertos pelo leitor paralelamente aos personagens, o que gera uma reflexão subjetiva, porém muito eficaz sobre nós mesmos como seres humanos.

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'Várias Histórias' (Machado de Assis)

Utilizando-se de temas cotidianos, Machado de Assis demonstra, nesta compilação de contos, como é possível revelar a essência do ser humano através da Literatura. Ao serem descritos acontecimentos aparentemente comuns, porém repletos de complexidade, a obra demonstra toda a sensibilidade do autor, que se baseia nos conflitos da humanidade para criar seus personagens.

Da paixão utópica de um jovem garoto (Uns Braços) ao animado debate entre os santos de uma igreja (Entre Santos), o ser humano nunca fora compreendido com tanta sensibilidade e poesia. As histórias não deixam de conter um tom crítico. Porém, este aspecto é utilizado com sutileza e sabedoria, gerando um agradável contraponto aos trechos levemente humorados.

Com a sensibilidade de um poeta e a visão de mundo de um cronista, Machado usou as palavras para descrever o íntimo do ser humano, pelo qual são expostos seus sentimentos e contradições, em obras que, mesmo lançadas há muito tempo, permanecem atuais e universais até hoje. Este clássico é uma prova concreta de como um grande escritor pode se imortalizar através da sensibilidade de sua obra.

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'A Alma Encantadora das Ruas' (João do Rio)

Descrever a alma carioca através das ruas do Rio, fossem elas urbanas ou suburbanas, definitivamente, foi uma qualidade nata de João do Rio, cronista carioca que, no início do Século XX, teve coragem e talento de sobra para descrever o cotidiano do Rio de Janeiro, sempre com um olhar crítico, que muitas vezes chegava a ser sarcástico. Porém, quanta maestria! Suas crônicas são um verdadeiro aprendizado de Jornalismo Literário até hoje e, atualmente, de História.

A poesia com que João do Rio definiu as ruas e as diferenças entre seus frequentadores demonstra uma relação de intensa sensibilidade ao que poderia passar despercebido por muitos, como nos seguintes trechos:

“Algumas dão para malandras, outras para austeras; umas são pretensiosas, outras riem aos transeuntes e o destino as conduz como conduz o homem, misteriosamente, fazendo-as nascer sob uma boa estrela ou sob um signo mau, dando-lhe glórias e sofrimento, matando-as ao cabo de um certo tempo.

Oh! Sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue...”

Ao decorrer da crônica citada, que abre o livro, a relação humana com o ambiente urbano é explorada de forma metafórica e poética, porém eficientemente direta, com poder de síntese em boas ideias.

A mesma preocupação humanística e social se faz presente também nas demais crônicas que integram o livro. Além da nítida reflexão social presente por toda a obra, é possível descobrir diversos problemas e hábitos polêmicos da época retratados com sutileza e poesia, porém nunca sendo mascarados pelo autor.

A impressão que se tem ao ler a obra de João do Rio é a de que o cronista explorava fielmente uma linguagem popular para a época, tornando seus escritos acessíveis e, ao mesmo tempo, belos e intensos, mesmo tratando-se de temas que podem ser considerados pesados até hoje.

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'Kind of Blue' (Miles Davis)

Minimalista, ‘Kind of Blue’ marca uma das mais importantes fases na discografia do genial trompetista Miles Davis como um dos álbuns divisores de águas em sua carreira e no Jazz em geral.

Nos momentos iniciais da primeira faixa, “So What”, o ouvinte se depara com passagens marcantes entre piano e baixo com pausas bem colocadas, até que se vê envolvido com melodias que vão surgindo ao decorrer da canção, em que os instrumentos de sopro a complementam,  acrescentando progressivamente novos elementos à mesma.

“Blue in Green” talvez seja o momento mais introspectivo e emocionante do álbum, com arranjos marcantes, densos e cadenciados, tocados de forma solta e natural, em que o piano e os instrumentos de sopro apresentam perfeita sintonia, de forma a se complementarem ao longo da canção, que mescla sofisticação e uma melancólica beleza em sua harmonia.

Este álbum pode trazer ao ouvinte não apenas um som de muita qualidade. Para muitos, este registro clássico pode servir como uma agradável porta de entrada para o mundo do Jazz.

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